Poema das Chamas
O coração ardendo de raiva
O fogo consumindo o sentimento
Que derretia, finalmente com alguma cor.
O famoso vermelho vivo, que de vida não tinha nada.
...
O brado em minha mente,
Soava como uma rapsódia.
Ríspida. Cortante.
Agressiva. Atormentada
Fluindo arruinada,
como uma estrela em combustão.
...
A chama do amor me queimou.
Feriu e me destroçou.
Me expôs ao mundo.
Fragilidade catatônica.
...
A razão se eterizou.
Voando das minhas mãos feridas,
das batidas contra o chão.
...
A Fênix é imortal,
calor essencial e imaterial.
Assim, feito minha inconsequente ardência,
minha ternura aveludada.
Pelo menos essa era a intenção.
Saiu como bala de canhão,
estourando a lona de proteção,
que tento lutei para manter.
...
O Sol se punha no horizonte.
O frio chegava, mas não me atingia.
Ele entrava mas se consumia,
nas labaredas profundas e intensas.
Irritação inevitável.
...
Porque não conseguia,
ser cálido como uma geleira?
Inabalável e cristalino,
Frígido, mas imaculado?
...
Você não é quem não é...
...
Eu não poderia ser frio com chama.
Um imperturbável acuado
Um puro manchado.
...
Mas agora vejo a verdade.
Agradeço a Deus pela brasa que me queimou,
que me feriu tão fortemente.
Trago as cicatrizes da luta, como troféu de uma vitória.
O cinza não existe na minha vida.
Sou eterno vulcão,
Com a tarefa de destruir o equilíbrio,
Trazendo mais força, mais vitalidade, mais vida.
...
Nessas singelas palavras,
Coloco a pura verdade:
A dor da combustão, é ressarcida pela emoção
Da nova sensação
De uma chama verdadeira,
Amor no coração.
...
